Durante sete anos, Israel viveu oprimido pelos midianitas. O povo plantava, trabalhava e se esforçava, mas os inimigos vinham e destruíam tudo. Os israelitas passaram a viver escondidos em cavernas, dominados pelo medo e pela escassez.
Foi nesse cenário que Deus chamou Gideão para libertar a nação. Entretanto, antes de enviá-lo ao campo de batalha, o Senhor lhe deu uma ordem dentro de sua própria casa: derrubar o altar de Baal e cortar o poste-ídolo que estava junto dele.
A libertação de Israel não começaria enfrentando os midianitas. Começaria com a destruição dos altares que mantinham o povo espiritualmente aprisionado.
Existem estruturas que alimentam ciclos
Há situações que perduram por anos porque determinadas estruturas continuam sendo alimentadas. Ciclos de medo, dependência, pecado, acomodação, orgulho, ressentimento e incredulidade podem, aos poucos, ocupar o lugar que pertence a Deus.
Os postes-ídolos atuais nem sempre são imagens visíveis. Podem ser relacionamentos que governam nossas decisões, a dependência da aprovação de pessoas, o dinheiro, a aparência, o reconhecimento, a posição, o controle, tradições, vícios ou até feridas que transformamos em parte de nossa identidade.
Ídolo é tudo aquilo que ocupa o centro, determina nossas escolhas e recebe uma confiança que deveria estar depositada em Deus.
O novo exige uma decisão
Gideão não poderia levantar um altar ao Senhor sem primeiro derrubar o altar de Baal. Para que o novo fosse estabelecido, uma estrutura antiga precisava cair.
Por isso, quando Deus declara em Isaías 43:19: “Eis que faço uma coisa nova”, Ele também nos convida a abandonar aquilo que pertence à estação anterior.
Às vezes, pedimos que Deus mude nossas circunstâncias, mas resistimos quando Ele começa mudando nossos hábitos, relacionamentos, prioridades e pensamentos. Queremos restituição sem renúncia, liberdade sem confronto e uma nova história sem encerrar antigos ciclos.
Contudo, há momentos em que a resposta de Deus chega como uma desconstrução. Ele mexe em estruturas que pareciam seguras porque sabe que elas não poderão sustentar o futuro que preparou.
O altar precisa ser substituído
Gideão não recebeu apenas a ordem de derrubar. Deus também lhe mandou construir um altar ao Senhor. Isso nos ensina que não basta abandonar práticas antigas; é necessário estabelecer uma nova forma de viver.
O lugar antes ocupado pelo medo precisa ser preenchido pela fé. O ressentimento precisa dar lugar ao perdão. A dependência precisa ser substituída pela confiança em Deus. A acomodação precisa dar lugar à obediência.
Antes de Gideão enfrentar os inimigos externos, precisou confrontar os altares internos. Antes da vitória pública, houve uma decisão particular. Antes do milagre que todos veriam, aconteceu uma obediência que quase ninguém conhecia.
O novo de Deus já pode estar nascendo. A pergunta é: você está disposto a derrubar aquilo que não pode acompanhá-lo nessa nova estação?
