Jesus havia dado uma direção aos discípulos: “Vamos para o outro lado”. A travessia começou por causa de uma palavra, mas isso não impediu que um forte vento se levantasse. Estar no caminho indicado por Deus não significa ausência de tempestades; significa que nenhuma tempestade é capaz de anular aquilo que Ele declarou.
Enquanto as ondas invadiam o barco, os discípulos se depararam com seus próprios limites. O medo falou mais alto, a experiência de alguns pescadores pareceu insuficiente e a sensação de abandono tomou conta do coração. A tempestade exterior apenas revelou a agitação que já crescia no interior deles.
Há ventos que expõem aquilo que tentamos esconder: inseguranças, necessidade de controle, cansaço, incredulidade e perguntas que nunca tivemos coragem de fazer. Mas a revelação de nossa fragilidade não é o fim da história. Muitas vezes, é exatamente ali que começamos a conhecer uma dimensão do poder de Deus que a calmaria nunca nos mostraria.
Se o ser humano nunca se deparasse com seus limites, como ouviríamos falar dos milagres de Deus?
Jesus continua no barco
O silêncio de Jesus não era ausência. Ele dormia, mas permanecia presente. Os discípulos interpretaram a aparente inatividade do Mestre como falta de cuidado: “Não te importa que pereçamos?”. Contudo, antes que o barco pudesse afundar, Jesus se levantou.
Talvez, nesta semana, o vento esteja soprando sobre áreas importantes de sua vida. Não permita que o barulho das ondas faça você esquecer quem entrou no barco com você. A presença de Cristo é a garantia de que a tempestade não terá a palavra final.
A fé também precisa se levantar
Depois de acalmar o mar, Jesus perguntou: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?”. Ele não estava negando a força da tempestade, mas ensinando que a fé não pode ser determinada pelas circunstâncias.
Fé não é fingir que o vento não existe. É decidir que o vento não governará suas escolhas. É continuar confiando na Palavra recebida, mesmo quando os sentidos anunciam o contrário. Se Jesus disse que chegarão ao outro lado, o meio da travessia não poderá cancelar o destino.
Nesta semana, em vez de perguntar apenas “Quando esta tempestade terminará?”, pergunte: “O que Deus deseja revelar e formar em mim enquanto o vento sopra?”
